Respeito
Acate com respeito todas as religiões. Cada homem tem o direito de escolher o caminho que prefere. Respeite a liberdade de crença dos outros, tanto quanto aprecia que respeitem a sua. Não discuta nem procure tirar ninguém do caminho em que se acha, a não ser que seja procurado para isso. Respeite, para ser respeitado.
Os irmãos na fé, que trabalham juntos, tem que se respeitarem para que os trabalhos fluam, trate-os a todos bem, não leve problemas da sua casa para o terreiro e principalmente para às reuniões de estudo da doutrina, procure ajudar aqueles que estão necessitando de ajuda, seja de uma palavra de conforto, confiança, esclarecimento e otimismo. Estudem e deixe sair o homem velho que ainda reside em seus corpos. Renove-se deixando fluir a mediunidade dada de graça por Deus.
“Sempre se há dito que a mediunidade é um dom de Deus, uma graça, um favor”.
“Todas as faculdades são favores pelos quais deve a criatura render graças a Deus, pois que homens há privados delas”. (livro dos médiuns).
A Mediunidade é, pois, um fenômeno natural e se realiza em todos os graus da hierarquia da criação, numa escala que vai do verme aos anjos, tudo e todos reciprocamente se manifestando e dando testemunho de si mesmos. Assim, Jesus Cristo foi, inegavelmente, o médium de Deus junto aos homens, manifestando, transmitindo e realizando suas vontade divinas.
Quanto ao Cristianismo, valendo-nos de um conceito de Leon Denis – “ele repousa sobre fatos de aparições e manifestações de mortos e fornece imensas provas da existência do mundo invisível e das almas que o povoam”.
A Bíblia, ela mesma, está cheia de semelhantes manifestações, todas obtidas por meio da mediunidade.
No Velho Testamento vemos os profetas, videntes e audientes inspirados, que transmitem ao povo a vontade dos Guias e, de todas as formas de mediunidade parece mesmo que a mais generalizada era a da vidência.
Samuel, no Livro I, cap. 9, v.9, assim o demonstra, quando diz:-“Dantes, quando se ia consultar a Deus, dizia-se vamos ao vidente; porque os que hoje se chamam profetas chamavam-se videntes”.
É já de rigor citativo a consulta feita por Saul ao Espírito de Samuel, na gruta do Endor. (Samuel I, 28:7-20)
As pragas que, segundo se narra, por intermédio de Moisés foram lançadas sobre o Egito; as maravilhas ocorridas como povo hebreu no deserto, quando conduzido por esse grande Enviado, a saber: a labareda de fogo que marchava à frente dos retirantes, o maná que os alimentava; as fontes que jorravam das rochas; o recebimento do Decálogo, etc., tudo é afirmação do extraordinário poder mediúnico do grande fundador da nação judaica
Que maior exemplo de fenômeno de incorporação que o revelado por Jeremias – o profeta da paz – quando, tomado pelo Espírito, pregava pelas ruas contra a guerra aos exércitos de Nabucodonosor! E que outro maior, de vidência no tempo, que o demonstrado por João escrevendo o Apocalipse!
E como é notável de se observar que, nos remotos tempos do Velho Testamento, os fenômenos, em si mesmos, em quase nada diferiam, como dissemos, dos atualmente observados por nós!
Basta dizer os de transporte: II Reis 6:6; os de levitação: Ez. 3:14-15 e Atos 8:39-40; os de escrita direta: Êxodo 32:15-16 e 34:28; os fenômenos luminosos: 34:29-30 – além de muitos outroas que seria longo enumerar.
E tão semelhantes eram as práticas antigas com as atuais, que até mesmo a música era empregada para a formação do ambiente. De fato, vemos que o profeta Eliseu reclama “um tangedor” (harpista) para profetizar: II Reis 3:15 – e muito vulgar é a citação de passagem em que Davi acalma e afasta os Espíritos obsessores de Saul, tangendo sua harpa.
E a obscuridade era também, em muitos casos, exigida, e Salomão, no ato de consagrar o templo que edificara, declarou significativamente: “O Senhor tem dito que habitaria nas trevas” II Cr.6:1 (4).
No Novo Testamento, desde antes do Nascimento, então as provas são ainda mais concludentes e notáveis, as de mediunidade curadora, o dom das línguas, as levitações e os fenômenos luminosos.
Maria de Nazaré não viu o Espírito anunciador? Jesus não foi gerado com intervenção do Espírito Santo? E os “milagres” seus e dos apóstolos?
Voltando a citar Leon Denis, é dele esta pergunta: os apóstolos
(referência ao 4 acima).
Salmos 67:18 – Isaías 32:15,44:3 – Ezequiel 11:19,36:27 – Joel2:28
Do Cristo foram escolhidos por serem sábios ou notáveis ou porque possuíam qualidades mediúnicas?
Esses apóstolos, como sabemos, e seus discípulos, durante o tempo de seus trabalhos, atuaram como verdadeiros médium, bastando citar Paulo e João, um o mais dinâmico e culto, o outro o mais místico.
Que foi o Pentecostes senão a outorga de faculdades mediúnicas aos apóstolos e discípulos?
E, justamente por exercerem francamente a mediunidade, é que sabiam de seus perigos, dos cuidados que sua prática exigia, e sobre isso chamavam a atenção de seus discípulos. (5)
Paulo dizia:-“Os Espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” e João ajuntava: “Caríssimos, não creiais em todos os Espíritos, mas provai que os Espíritos são de Deus”. Advertiam, assim, contra a ação dos Espíritos obsessores e mistificadores.
Era tão comum a mediunidade entre os primitivos cristãos, que instruções escritas eram enviadas às comunidades das diferentes cidades, para regular a sua prática; e essas instruções foram sendo, com o correr do tempo, enfeixadas em livros para melhor conservação.
Hermas, que evangelizou no tempo de Paulo, adquirindo grande e justa autoridade, em seu livro O Pastor, dizia: “O Espírito que vem da parte de Deus é pacífico e humilde; afasta-se de toda a malícia e de todo vão desejo deste mundo e paira acima de todos os homens. Não responde a todos que o interrogam, nem às pessoas em particular, porque o Espírito que vem de Deus não fala ao homem quando o homem quer, mas quando Deus o permite. Quando, pois, um homem que tem o espírito de Deus, vem à assembléia dos fiéis, desde que se fez a prece, o Espírito toma lugar nesse homem que fala na assembléia como Deus o quer. Reconhece-se ao contrário o Espírito terrestre, frívolo, sem sabedoria e sem força, no que se agita, se levanta e toma o primeiro lugar. É importuno, tagarela e não profetiza sem remuneração.
“Um profeta de Deus não procede assim”.
(5) João 14:26, 16:7 – Atos 1:2-3,5,8-11,16 – 2:4,38-39 – 4:31 – 9:17 – 10:44 – 11:15 – 13:52 – 19:6 – 20:23 – Romanos 5:5 –I Cor.12.
Do Livro Mediunidade (Edgard Armond)
O espiritismo nos explica de onde viemos, para onde vamos e o que viemos fazer aqui. Não desanime, para vencer em qualquer seguimento devemos sempre persistir e nunca desistir, só assim seremos vitoriosos. "Muita Paz".
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Nos Serviços da Cura
NÃO basta rogar ajuda para si.
É indispensável o auxílio aos outros.
NÃO vale a revelação de humildade na indefinida repetição dos pedidos de socorro.
É preciso não reincidirmos nas faltas.
NÃO há grande mérito em solicitarmos perdão diariamente.
É necessário desculparmos com sinceridade as ofensas alheias.
NÃO há segurança definitiva para nós se apenas fazemos luz na residência dos vizinhos.
É imprescindível acendê-la no próprio coração.
NÃO nos sintamos garantidos pela certeza de ensinarmos o bem a outrem.
É imperioso cultivá-lo por nossa vez.
NÃO é serviço completo a ministração da verdade construtiva ao próximo.
Preparemos o coração para ouvi-la de outros lábios, com referência às nossas próprias necessidades, sem irritação e sem revolta.
É indispensável o auxílio aos outros.
NÃO vale a revelação de humildade na indefinida repetição dos pedidos de socorro.
É preciso não reincidirmos nas faltas.
NÃO há grande mérito em solicitarmos perdão diariamente.
É necessário desculparmos com sinceridade as ofensas alheias.
NÃO há segurança definitiva para nós se apenas fazemos luz na residência dos vizinhos.
É imprescindível acendê-la no próprio coração.
NÃO nos sintamos garantidos pela certeza de ensinarmos o bem a outrem.
É imperioso cultivá-lo por nossa vez.
NÃO é serviço completo a ministração da verdade construtiva ao próximo.
Preparemos o coração para ouvi-la de outros lábios, com referência às nossas próprias necessidades, sem irritação e sem revolta.
NÃO é integral a medicação para as vísceras enfermas.
É indispensável que não haja ódio e desespero no coração.
NÃO adianta o auxílio do Plano Superior, quando o homem não se preocupa em retê-lo.
Antes de tudo, é preciso purificar o vaso humano para que se não perca a essência divina.
NÃO basta suplicar a intercessão dos bons.
Convençamo-nos de que a nossa renovação para o bem, com Jesus, é sagrado impositivo da vida.
NÃO basta restaurar simplesmente o corpo físico.
É inadiável o dever de buscarmos a cura espiritual para a vida eterna. (BEZERRA DE MENEZES, "Taça de Luz", 4, FCXavier, FEESP)
Comentando o Perispírito
O Perispírito, como campo de energias, deve ser constituído de material bem próximo ao das estruturas físicas, ao menos em sua zona de intercâmbio com a matéria, zona em que esta última torna-se energia e a energia evidencia-se na matéria por condensação.
O Perispírito, representando a capa externa do espírito, serviria de filtro e tela de suas manifestações. Apesar de apresentar intenso dinamismo psíquico, superior ao da zona consciente ou zona física, dirige os campos celulares físicos por influência do próprio espírito donde é dependente.
O Perispírito é zona que sofre modificações intensas nos processos reencarnatórios, passando por condições de miniaturização e mesmo perda de algumas energias, pois, ao se acercar do ovo para impulsionar a sua morfogênese, estará elaborando uma nova estruturação que responderá por um novo corpo físico. Se, no perispírito, estivessem sediados todos os arquivos do ser, é claro que as intensas transformações do mecanismo reencarnatório afetariam a estruturação de imortalidade. Dessa forma, as aptidões que são absorvidas nas experienciações que o ser passa diante das diversas etapas reencarnatórias, estariam nas zonas definitivas do espírito e refletidas no perispírito, zona dimensionalmente mais densa que a primeira e por isso, mais apropriada às correlações com a matéria. Destarte, a matéria recebe o que necessita do impulso espiritual pelas telas perispirituais; estas, embora apresentando um campo avançado de trabalho, não são a sede das energias criativas da vida.
O Perispírito, representando a capa externa do espírito, serviria de filtro e tela de suas manifestações. Apesar de apresentar intenso dinamismo psíquico, superior ao da zona consciente ou zona física, dirige os campos celulares físicos por influência do próprio espírito donde é dependente.
O Perispírito é zona que sofre modificações intensas nos processos reencarnatórios, passando por condições de miniaturização e mesmo perda de algumas energias, pois, ao se acercar do ovo para impulsionar a sua morfogênese, estará elaborando uma nova estruturação que responderá por um novo corpo físico. Se, no perispírito, estivessem sediados todos os arquivos do ser, é claro que as intensas transformações do mecanismo reencarnatório afetariam a estruturação de imortalidade. Dessa forma, as aptidões que são absorvidas nas experienciações que o ser passa diante das diversas etapas reencarnatórias, estariam nas zonas definitivas do espírito e refletidas no perispírito, zona dimensionalmente mais densa que a primeira e por isso, mais apropriada às correlações com a matéria. Destarte, a matéria recebe o que necessita do impulso espiritual pelas telas perispirituais; estas, embora apresentando um campo avançado de trabalho, não são a sede das energias criativas da vida.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Mensagem de André Luiz

O PASSE
O passe não é unicamente transfusão de energias anímicas.
É o equilibrante ideal da mente, apoio eficaz de todos os tratamentos.
Desânimo e tristeza, tanto quanto insatisfação e revolta, são síndromes da alma, estabelecendo distonias e favorecendo moléstias do corpo.
Se há saúde, esses estados de espírito patrocinam desastres orgânicos; na doença equivalem a fatores predisponentes na desencarnação prematura.
Mas não é só isso.
Em todo desequilíbrio mental as forças negativas entram mais facilmente em ação instalando processos obsessivos de duração indeterminada.
Se usamos o antibiótico por substância destinada a frustrar o desenvolvimento de microorganismos no campo físico, por que não adotar o passe por agente capaz de impedir as alucinações depressivas, no campo da alma? Se atendemos à assepsia, no que se refere ao corpo, por que descurar dessa mesma assepsia no que tange ao espírito? A aplicação das forças curativas em magnetismo enquadra-se à efluvioterapia com a mesma importância do emprego providencial de emanações da eletricidade.
Espíritas e médiuns espíritas, cultivemos o passe, no veículo da oração, com o respeito que se deve a um dos mais legítimos complementos da terapêutica usual.
Certamente os abusos da hipnose, responsáveis por leviandades lamentáveis e por truanices de salão, em nome da ciência, são perturbações novas no mundo, mas o passe, na dignidade da prece, foi sempre auxílio divino às necessidades humanas.
Basta lembrar que o Evangelho apresenta Jesus, ao pé dos sofredores, impondo as mãos.
(em Opinião Espírita, dos Espíritos Emmanuel e André Luiz, por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)
Chaves Libertadoras
DESGOSTO
Qualquer contratempo aborrece.
No entanto, sem desgosto, a conquista de experiência é impraticável...
OBSTÁCULO
Todo empeço atrapalha.
Sem obstáculo, porém, nenhum de nós consegue efetuar a superação das próprias deficiências.
DECEPÇÃO.
Qualquer desilusão incomoda.
Todavia, sem decepção, não chegamos a discernir o certo do errado.
ENFERMIDADE
Toda doença embaraça.
Sem a enfermidade, entretanto, é muito difícil consolidar a preservação consciente da própria saúde.
TENTAÇÃO
Qualquer desafio conturba.
Mas, sem tentação, nunca se mede a própria resistência.
PREJUÍZO
Todo o golpe fere.
Sem prejuízo, porém, é quase impossível construir segurança nas relações uns com os outros.
INGRATIDÃO
Qualquer insulto à confiança estraga a vida espiritual.
No entanto, sem o concurso da ingratidão que nos visite, não saberemos formular equações verdadeiras nas contas de nosso tesouro afetivo.
DESENCARNAÇÃO
Toda morte traz dor.
Sem a desencarnação, porém, não atingiríamos a renovação precisa, largando processos menos felizes de vivência ou livrando-nos da caducidade no terreno das formas.
Compreendamos, à face disso, que não podemos louvar as dificuldades que nos rodeiam, mas é imperioso reconhecer que, sem elas, eternizaríamos paixões, enganos, desequilíbrios e desacertos, motivo pelo qual será justo interpretá-las por chaves libertadoras, que funcionam em nosso espírito, a fim de que nosso espírito se mude para o que deve ser, mudando em si e fora de si tudo aquilo que lhe compete mudar.
(Do livro "Paz e Renovação", pelo Espírito André Luiz, Francisco C. Xavier)
Qualquer contratempo aborrece.
No entanto, sem desgosto, a conquista de experiência é impraticável...
OBSTÁCULO
Todo empeço atrapalha.
Sem obstáculo, porém, nenhum de nós consegue efetuar a superação das próprias deficiências.
DECEPÇÃO.
Qualquer desilusão incomoda.
Todavia, sem decepção, não chegamos a discernir o certo do errado.
ENFERMIDADE
Toda doença embaraça.
Sem a enfermidade, entretanto, é muito difícil consolidar a preservação consciente da própria saúde.
TENTAÇÃO
Qualquer desafio conturba.
Mas, sem tentação, nunca se mede a própria resistência.
PREJUÍZO
Todo o golpe fere.
Sem prejuízo, porém, é quase impossível construir segurança nas relações uns com os outros.
INGRATIDÃO
Qualquer insulto à confiança estraga a vida espiritual.
No entanto, sem o concurso da ingratidão que nos visite, não saberemos formular equações verdadeiras nas contas de nosso tesouro afetivo.
DESENCARNAÇÃO
Toda morte traz dor.
Sem a desencarnação, porém, não atingiríamos a renovação precisa, largando processos menos felizes de vivência ou livrando-nos da caducidade no terreno das formas.
Compreendamos, à face disso, que não podemos louvar as dificuldades que nos rodeiam, mas é imperioso reconhecer que, sem elas, eternizaríamos paixões, enganos, desequilíbrios e desacertos, motivo pelo qual será justo interpretá-las por chaves libertadoras, que funcionam em nosso espírito, a fim de que nosso espírito se mude para o que deve ser, mudando em si e fora de si tudo aquilo que lhe compete mudar.
(Do livro "Paz e Renovação", pelo Espírito André Luiz, Francisco C. Xavier)
Nova Tática dos Adversários do Espiritismo

( O texto foi escrito em 1865, Mas é espantosamente atual
para reflexão de todos os espíritas).
Jamais uma doutrina filosófica dos tempos modernos causou tanta emoção quanto o Espiritismo e nenhuma foi atacada com tamanha obstinação. É prova evidente de que lhe reconhecem mais vitalidade e raízes mais profundas que nas outras, já que não se toma de uma picareta para arrancar um pé de erva. Longe de se apavorarem, os espíritas devem regozijar-se com isto, pois prova a importância e a verdade da Doutrina. (...)
Vide, na história do mundo, se uma única idéia grande e verdadeira deixou de triunfar, o que quer que tenham feito para entravá-la. (...)
Entretanto, a luta está longe de terminar; ao contrário, é de esperar que tome maiores proporções e um outro caráter. Seria por demais prodigioso e incompatível com o estado atual da Humanidade que uma doutrina, que traz em si o germe de toda uma renovação, se estabelecesse pacificamente em alguns anos.
Ainda uma vez, não nos lamentemos; quanto mais rude for a luta, mais estrondoso será o triunfo. (...)
Já tentaram muitas vezes, e o farão ainda, comprometer a Doutrina, impelindo-a por uma via perigosa ou ridícula, para a desacreditar. Hoje é semeando a divisão de modo sub-reptício, lançando o pomo de discórdia, na expectativa de fazer germinar a dúvida e a incerteza nos espíritos, provocar o desânimo, verdadeiro ou simulado e levar a perturbação moral entre os adeptos. Mas não são adversários confessos que assim agiriam. O Espiritismo, cujos princípios têm tantos pontos de semelhança com os do Cristianismo, também deve ter os seus Judas, para que tenha a glória de sair triunfando dessa nova prova. (...)
Nosso dever é premunir os espíritas sinceros contra as armadilhas que lhes são estendidas. Quanto aos que nos abandonaram, para os quais esses princípios eram muito rigorosos, neste como em vários outros pontos, é que sua simpatia era superficial e não do fundo do coração, não havendo nenhuma razão para nos prendermos a eles. Temos que nos ocupar com coisas mais importantes que a sua boa ou má vontade a nosso respeito. (...)
Quem quer que ponha o seu ponto de vista fora da estreita esfera do presente não é mais perturbado pelas mesquinhas intrigas que se agitam à sua volta. É o que nos esforçamos para fazer, e é o que aconselhamos aos que querem ter a paz da alma neste mundo. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. II, n. 5.)
Como todas as idéias novas, a idéia espírita não podia deixar de ser explorada por gente que, não tendo alcançado êxito em nada por má conduta ou por incapacidade, estão à espreita do que é novo, na esperança de aí encontrar uma mina mais produtiva e mais fácil; se o sucesso não corresponde à sua expectativa, não o atribuem a si mesmos, mas à coisa, que declaram má. Tais pessoas só têm de espíritas o nome. Melhor do que ninguém, pudemos ver essa manobra, tendo sido muitas vezes o alvo dessas explorações, às quais não quisemos dar a mão, o que não nos valeu amigos.
(...) O Espiritismo, repetimos, ainda tem de passar por rudes provas e é aí que Deus reconhecerá seus verdadeiros servidores, por sua coragem, firmeza e perseverança. Os que se deixarem abalar pelo medo ou por uma decepção são como esses soldados, que só têm coragem nos tempos de paz e recuam ao primeiro tiro. Entretanto, a maior prova não será a perseguição, mas o conflito das idéias que será suscitado, com cujo auxílio esperam romper a falange dos adeptos e a imponente unidade que se faz na Doutrina.
Esse conflito, embora provocado com má intenção, venha dos homens ou dos maus Espíritos, é, contudo, necessário e, ainda que causasse uma perturbação momentânea em algumas consciências fracas, terá por resultado definitivo a consolidação da unidade. Como em todas as coisas, não se deve julgar os pontos isolados, mas ver o conjunto. É útil que todas as idéias, mesmo as mais contraditórias e as mais excêntricas, venham à luz; provoquem o exame e o julgamento, e, se forem falsas, o bom senso lhes fará justiça. (...)
(...) Os impacientes, que não sabem esperar o momento propício, comprometem a colheita como comprometem a sorte das batalhas.
Entre os impacientes, sem dúvida alguns há de muito boa-fé e que gostariam que as coisas andassem ainda mais depressa; assemelham-se a essas criaturas que julgam adiantar o tempo adiantando o relógio.(...)
(...) O Espiritismo marcha em meio a adversários numerosos que, não o tendo podido tomar à força, tentam tomá-lo pela astúcia; insinuam-se por toda parte, sob todas as máscaras e até nas reuniões íntimas, na esperança de aí surpreender um fato ou uma palavra que muitas vezes terão provocado, e que esperam explorar em seu proveito. Comprometer o Espiritismo e torná-lo ridículo, tal é a tática, com o auxílio da qual esperam desacreditá-lo a princípio, para mais tarde terem um pretexto para mandar interditar, se possível, o seu exercício público. É a armadilha contra a qual devemos nos precaver, porque é estendida de todos os lados, e na qual, sem o querer, são apanhados os que se deixam levar pelas sugestões dos Espíritos enganadores e mistificadores.
O meio de frustrar essas maquinações é seguir o mais exatamente possível a linha de conduta traçada pela Doutrina; sua moral, que é a sua parte essencial, é inatacável, não dá ensejo a nenhuma crítica fundada e a agressão se torna mais odiosa. Achar os espíritas em falta e em contradição com seus princípios seria uma boa sorte para os seus adversários; assim, vede como se empenham em acusar o Espiritismo de todas as aberrações e de todas as excentricidades pelas quais não poderia ser responsável. A Doutrina não é ambígua em nenhuma de suas partes; é clara, precisa, categórica nos mínimos detalhes; só a ignorância e a má-fé podem enganar-se sobre o que ela aprova ou condena. É, pois, um dever de todos os espíritas sinceros e devotados repudiar e desaprovar abertamente, em seu nome, os abusos de todo gênero que pudessem comprometê-la, a fim de não lhes assumir a responsabilidade. Pactuar com os abusos seria acumpliciar-se com eles e fornecer armas aos adversários.
Os períodos de transição são sempre difíceis de passar. O Espiritismo está nesse período; atravessa-o com tanto menos dificuldade quanto mais os seus adeptos forem prudentes. Estamos em guerra; lá está o inimigo a espiar, prestes a explorar o menor passo em falso em seu proveito, e disposto a meter o pé na lama, se o puder.
Contudo, não nos apressemos em lançar pedras e suspeições com muita leviandade, sobre aparências que poderiam ser enganosas; a caridade, aliás, faz da moderação um dever, mesmo para os que estão contra nós. A sinceridade, todavia, mesmo em seus erros, tem atitudes de franqueza com as quais não é possível equivocar-se, e que a falsidade jamais simulará completamente, porquanto, mais cedo ou mais tarde, deixa cair a máscara. Deus e os bons Espíritos permitem que ela se traia por seus próprios atos. Se uma dúvida atravessa o Espírito, deve ser apenas um motivo para se guardar reserva, o que pode ser feito sem faltar às conveniências.
(Fonte: KARDEC, Allan. Revista Espírita, junho de 1865, ed. Feb, p. 254-260, Nova tática dos adversários do Espiritismo, Allan Kardec.)
sábado, 9 de outubro de 2010
Nas Asas do Tempo
Faze de cada hora - um poema de amor...
Renúncia vazia - terra seca.Oração sem serviço - candeia apagada.
Alegria sem trabalho - flor sem proveito.
Cultura sem caridade - árvore estéril.
Sermão sem exemplo - trovoada sem chuva.
Tribuna sem suor - esquife sonoro.
Inteligência trancada - luz no deserto.
Vida sem ação - enterro lento.
Filosofia sem bondade - conversa vã.
Talento oculto - fonte escondida.
Fé parada - vaso inútil.
Virtude sem movimento - ninho morto.
Lição sem obras - museu de idéias.
Repara os recursos de que dispões:
Pensamento nobre.
Conhecimento superior.
Raciocínio pronto.
Diretrizes claras.
Ouvidos percucientes.
Olhos iluminados.
Verbo fácil.
Movimentos livres.
Mãos seguras.
Pés hábeis.
Não te afeiçoes a mortificações improfícuas.
Cada criatura, onde passa, deixa o próprio reflexo.
Só a inércia vagueia no mundo como sombra na sombra.
Tu, porém, deves caminhar, à feição do raio solar, dissipando as trevas.
Cada hora, podes fazer a dor menos amarga.
Cada hora, podes fazer a luta mais construtiva.
Imensos são os males do mundo - não os agraves com o desespero.
Enormes são as mágoas dos outros - não as multipliques com o fel da reprovação.
Onde estiveres, restaura, conserta, alivia, ampara e desculpa...
Em qualquer circunstância, recorda o Cristo, que passou entre os homens entendendo e ajudando...
E ainda mesmo quando se viu condenado sem culpa, pelos mesmos homens aos quais servia,
partiu para a morte, perdoando e amando... Torturado na cruz, mas de braços abertos!
EMMANUEL
Mensagem "CADA HORA"
(De "Religião dos Espíritos", de Francisco Cândido Xavier, FEB)
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