domingo, 17 de abril de 2011

Ação das Obsessões e o Combate que Exigem

As obsessões fazem você:
Ver dragões onde há minhocas;
Impacientar-se a troco de nada;
Interpretar com malícia as intenções alheias;
Ficar a todo tempo tenso, como se houvesse perigos em toda parte, e qualquer um fosse atacá-lo a qualquer momento (impulso paranóico);
Desejar fora de hora ou medida ou de alvo;
Ter surtos de raiva, inveja, posse ou poder em relação a pessoas, acontecimentos e posições sociais ou propriedades materiais;
Sentir pena de si, colocar-se como vítima ou ao contrário: com culpa por tudo e condenado inapelavelmente;
Ter medo, além do razoavelmente esperado, e sentir-se continuamente ameaçado, pela velhice ou pela doença, pela crítica ou pela pobreza, pela injustiça ou pela ingratidão dos outros;
Sentir-se caso perdido, sem esperanças ou meio de resgate e salvação, sem acreditar em si mesmo, em Deus ou em ninguém, impelindo-o a render-se, por fim, à total desesperação.
Claro que há momentos em que o perigo e a traição são reais, em que o ataque de fato acontece e em que o impulso de agir imediatamente está certo e oportuno. Falo, porém, do estado de estresse, angústia, medo e desconfiança sistemáticos, que confundem a psique, infelicitam-na, atrapalham as percepções e avaliações que se façam de eventos e pessoas e que por fim levam a alma a um estado de negatividade e de mesquinharia que acaba por se instalar no comportamento do indivíduo, com variantes concorde a personalidade do envolvido pelos tentáculos do mal.
Outrossim, importante observar que aludi a “obsessões” e não a “obsessores”, visto que, amiúde, todo processo perturbador tem nascente e escoadouro no próprio psiquismo do indivíduo; e pelo fato de que, além do mais, ainda que haja agentes externos (encarnados e desencarnados: e muitos há, mais do que se gostaria de admitir) a insuflar padrões patológicos de pensamento e sentimento, são as estruturas conceituais e emocionais do próprio “obsediado” que entram em ressonância com a vibração do inimigo exterior, para, então, colher-lhe as sugestões telepáticas, induzidas ou verbalizadas.
Para imunizar-se deste assalto constante das forças constituídas do mal, lembre-se de que o mundo em que está encarnado é bastante rico de expressões contrárias ao impulso do bem, como de patógenos com relação à vida orgânica complexa, multicelular, e que somente com um sistema psico-espiritual de defesa eficiente é possível proteger-se das constantes tentativas de invasão e controle por parte dos “inimigos espirituais”, da mesma forma que um sistema imunológico é imprescindível ao corpo físico, para sua defesa.
Importante ainda distinguir invasão de controle. Sempre há elementos destrutivos pervagando a mente saudável e sob auto-domínio, apesar de tais agentes não determinarem seu comportamento, nem lhe dominarem seus fluxos de raciocínio e emoção. É o mesmo que acontece com a enormidade de microorganismos potencialmente fatais, que pululam na corrente sangüínea, no aparelho digestivo e na pele de seres humanos e animais, nem sempre causando enfermidades, pelo contínuo combate levado a efeito pelo sistema imunológico.
E o que seria o sistema de defesa psico-espiritual, espécie de sistema imunológico psicológico-moral? Um conjunto de reações condicionadas altamente lúcidas e espirituais, com aspectos intelectivos e emocionais, em perfeita comunhão com a fé, que canaliza para o indivíduo o socorro de inteligências mais avançadas e bondosas, representantes de Deus, no intuito de vencer no embate com os agentes da desagregação e da decadência.
Oração, auto-disciplina, estudo constante, auto-crítica, um consolidado sentido de responsabilidade por tudo que acontece consigo ou em torno de si, generosidade, devoção, paz – tudo isto em regímen de esforço permanente, esforço paradoxalmente sereno (para que não haja pane, colapso, em uma psique sobrecarregada), como uma fortaleza que se erigisse dia a dia, portas a dentro de si mesmo, assim como o sistema imunológico que se fortalece, em contato com agentes nocivos, como se dá com criancinhas que andam de pés descalços ou profissionais da saúde que trabalham horas por dia em ambientes infectados sem contrair enfermidades graves, freqüentemente, como seria de se esperar.
Assim, em vez de mal-dizer as obsessões, entenda que constituem seu maior auxiliar evolutivo; e que, através da relação ativa que desenvolva com elas, no sentido de ininterruptamente processá-las, empenhando-se, quanto possível, em não se render às suas sugestões, estará não só fortalecendo, amadurecendo e enobrecendo seu caráter e sua personalidade, como ainda gerando meios e poder de auxiliar seus entes queridos e todos que puderem usufruir de sua influência pessoal.
Percebe-se, assim, mergulhados como estão os encarnados em verdadeiro oceano de energias e freqüências mentais díspares, por motivo algum, se pode relaxar no seu esforço de vigilância. Não por acaso sugeriu o Mestre Amado que vigiássemos e orássemos para não cairmos em tentação, porque, de fato, a todo instante, está-se, quando encarnado, sob saraivada contínua de forças deletérias e em desajuste, um bombardeio constante de vibrações desencontradas, que exigem permanente determinação e combate da alma devota e da mente lúcida, no sentido de manter o equilíbrio, a paz e a operacionalidade em seus vínculos, compromissos e responsabilidades assumidos, até mesmo em atividades de lazer, repouso e interação descontraída entre companheiros.
Cuidado, em particular, com toda forma de vaidade excessiva, orgulho ferido, medos contínuos ou prevenção sistemática com relação a certas pessoas (pode, mais do que imagina, estar sendo hipnotizado para mal-querer alguém, ou projetando questões íntimas suas, inconscientemente), pessimismo ou depressão, desejos, iras, invejas, ciúmes ou ambições desmedidas, complexo de culpa, vítima ou inferioridade, bem como puritanismo ou fanatismo (com ímpetos de “caça às bruxas” ou à perseguição de “bodes expiatórios”) porque, sem dúvida, por suas portas – mais do que se costuma supor no plano físico, em discursos bem elaborados pela racionalização do ego-razão, que sempre encontra motivos para justificar o injustificável e construir uma realidade paralela de significados para pretextar o que deseja viver – as obsessões adentram e, amiúde, infiltram-se nas mais profundas entranhas da alma, enovelando-a em sufocantes cipoais de mesquinharia, ódio, desejo de vingança, maldade e desconfiança, que, não raro, consomem séculos e encarnações sucessivas, para que seja propiciada libertação de seus cativos semi-voluntários, semi-zumbis, condenados pela loucura parcial de infelicidade a que se confiam...

Benjamin Teixeira
pelo espírito Eugênia.

domingo, 10 de abril de 2011

Por quê Esquecer o Passado?

     O que estudamos sobre a lembrança dos sonhos, aplica-se também às  recordações de nossas existências anteriores. Quando reencarnamos, nosso cérebro carnal, reduzindo nossas impressões espirituais a zero, não permite que nós nos recordemos das reencarnações pregressas; guarda-as adormecidas nos refolhos de nossa memória espiritual que nô-las restituirá mais tarde, ao desencarnarmos.
     Todavia, além das causas próprias da matéria, há poderosas razões de ordem moral que impossibilitam a recordação do passado; vejamos as principais:
O remorso de crimes antigos
     Assim como há pessoas que erram dolorosamente hoje, é provável que tenhamos cometido desatinos em nossas vidas passadas. E se nós nos lembrássemos, o arrependimento e o remorso voltariam a torturar-nos, não deixando nossa consciência livre para que nos apliquemos à correção dos erros e à reparação dos males que fizemos no pretérito longínquo.
A presença de antigos desafetos
     Há duas forças irresistíveis que atraem os espíritos: o amor, força positiva; e o ódio, força negativa.
     O amor é força positiva, porque o amor constrói.
     O ódio é força negativa, porque o ódio destrói.
     O amor atrai os que se amam; o ódio, os que se odeiam.
     O ódio precisa ser transformado em amor e doce fraternidade deve unir-se a todos. Para que isso aconteça, os desafetos do passado são colocados juntos na reencarnação presente, comumente na mesma família, unidos pelos laços consagüíneos, para reabilitarem-se e aprenderem a amar-se uns aos outros. por conseguinte, se não fosse o esquecimento transitório que esparge a paz nos corações, os lares terrenos em sua grande maioria seriam ninhos abomináveis de ódios inextinguíveis.
Situação presente inferior à passada.
     Em cada uma de nossas reencarnações, somos colocados em situações diferentes. E se a atual posição em que estamos, for inferior à da reencarnação passada, a lembrança da grandeza do passado, agora inatingível, ser-nos-ia um tormento constante.
     Do mesmo modo, se hoje estivermos reencarnados num corpo torturado por moléstias incuráveis, ou deformado, ou defeituoso, ao recordarmos de que já tivemos um corpo perfeito, nossa dor seria bem maior.
Situação presente superior à do passado.
     Caso a nossa situação atual for superior à antiga, a lembrança do passado humilde em confronto com a grandeza do presente, daria ensejo a que o orgulho se apossasse de nós, comprometendo nossas realizações.
Saudade de entes queridos.
     Nem sempre em nossas reencarnações estamos reunidos a nossos entes queridos do passado. Pode dar-se que reencarnemos em ambiente totalmente estranho, onde iremos conquistar novos amigos, novas afeições, entregando-nos à tarefa da redenção. Então a recordação de nossos entes queridos, dos quais estamos afastados provisoriamente, faria chorar os nossos corações.
Reincidência em vícios antigos
     Outro grande inconveniente que a recordação do passado nos acarretaria, é o perigo de reincidirmos nos vícios antigos, continuando o nosso embrutecimento. Se no passado os vícios nos arruinaram e agora o esquecimento transitório possibilita nossa reabilitação, a lembrança das reencarnações mal aproveitadas dificultaria sobremaneira nossos esforços e os anularia em muitos casos.
Rotina
     Somos ainda rotineiros. Se nós nos lembrássemos de nossas reencarnações precedentes, seríamos levados a viver do mesmo modo hoje, como já o vivemos anteriormente. Nossa tendência seria continuar a viver do mesmo modo, sem procurarmos novos campos de ação. Estacionaríamos. Não progrediríamos a não ser mediante esforços sobre humanos, dos quais a maioria das criaturas fugiria.
     Pela ligeira análise que acima fizemos, ficamos compreendendo porque é necessário o esquecimento de nossas reencarnações anteriores. Porque as lembranças penosas e as angústias antigas viriam juntar-se às dificuldades de hoje e, longe de abrandá-las, agravá-las-iam. Eis explicado, embora sucintamente, porque as lembranças do que fomos anteriormente não podem ser despertadas; caso o fossem, ansiedades inúteis amargurariam os dias que agora vivemos.
     Na realidade, contudo, nós não nos esquecemos de nosso passado; ele jaz latente em nosso íntimo e volta à nossa lembrança em forma de pendores, inclinações, gostos, simpatias e aversões. Todos nós temos tendências e faculdades que quase equivalem a uma lembrança efetiva de nossas vidas pregressas. Bastaria que nós nos puséssemos a analisar nossa vida presente, traçando um quadro de nossas inclinações, de nosso íntimo modo de pensar, para termos uma idéia bastante aproximada do que fomos no pretérito, porque hoje somos o produto dele.
     E assim o homem inteligente evita queixar-se; sabe que através de suas queixas e lamentações, uma pessoa analisadora e observadora facilmente lhe descobrirá o passado, pelo menos em linhas gerais.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Ciclo das Reencarnações

Quantas reencarnações teremos na Terra?
     Não há um número preestabelecido de encarnações para cada um de nós. Reencarnaremos tantas vezes quantas forem necessárias para nosso aprendizado, elevação e reparação. Unicamente de nós depende reencarnar mais ou menos vezes. Se nós nos comportarmos bem em cada reencarnação, reduziremos o número delas; do contrário o aumentaremos.
     De um modo geral podemos classificar as reencarnações em cinco grupos que são: as felizes, as suaves, as semifelizes, as dolorosas e as sacrificiais.
As reencarnações felizes
     Caracterizam-se estas reencarnações por conferirem a seus possuidores uma quase completa felicidade; estão isentos da maioria dos males que dificultam a vida na terra; e, em qualquer posição em que estejam colocados, nada lhes falta; estão ao abrigo dos grandes sofrimentos e da necessidade.
     Merecem as reencarnações felizes os espíritos que não trazem grandes faltas a sanar das reencarnações passadas; sabem tirar bom proveito da aprendizagem e trilham o caminho da elevação.
     À medida que a ignorância for sendo banida da face da terra, o número de reencarnações felizes irá aumentando porque, então, saberemos dedicar-nos ao nosso verdadeiro bem e ao bem de nossos semelhantes.
As reencarnações suaves
     As reencarnações suaves constituem um prêmio de repouso para o espírito. Há espíritos que, como desencarnados, trabalham arduamente e por longo tempo nas regiões inferiores e de trevas do mundo espiritual; conseguem assim grandes créditos a seu favor; e como ainda não estão em condições de ascenderem a colônias superiores e pouco ou nada deve de reencarnações anteriores, é-lhes concedida uma reencarnação suave. Caracteriza-se uma reencarnação suave por facilitar ao espírito todo o necessário para sua elevação espiritual, e pondo-o ao abrigo das lutas penosas da existência terrena. Na face da terra são numerosas estas reencarnações, como justo prêmio ao trabalho nobre e ao esforço em prol do bem aos semelhantes.
As reencarnações semifelizes
     As reencarnações semifelizes são aquelas que proporcionam ao espírito alternativas de alegrias e de sofrimentos.Sempre há um quê a não deixar o espírito gozar a felicidade completa; contudo, analisando sua vida, não poderá dizer que ela foi totalmente de desgraças: às horas tempestuosas, sucederam-se horas bonançosas; repouso e tranqüilidade depois de ásperas provações.
     As reencarnações semifelizes constituem a grande, a imensa maioria na face da terra, o que facilmente se explica: são raros os encarnados que não trazem dívidas de reencarnações anteriores; essas recaem no presente para serem pagas; e no momento de pagá-las, sobrevém o sofrimento. Todavia, uma vez liquidadas as dívidas, o espírito caminha para a felicidade, se tiver o cuidado de não contrair novas dívidas.
As reencarnações dolorosas
     Essas trazem em constante sofrimento o espírito que passa por elas. Infelizmente ainda são bastante numerosas. Merecem-nas os espíritos que muito erraram, fazendo muito mal aos seus semelhantes em encarnações anteriores; agora recebem em seus próprios corpos o reflexo do sofrimento que infligiram aos outros.
     Embora saibamos que sofrem porque merecem, nem por isso devemos deixar de estender-lhes nosso afeto, nosso carinho e nossas atenções; é nosso dever fraternal amenizar-lhes o rigor da expiação, ajudando-os na áspera senda da reparação.
     É este um tipo de reencarnação que tende a desaparecer de nosso planeta. Na proporção em que o homem se for moralizando, irão acabando as reencarnações dolorosas.
As reencarnações sacrificiais
São aquelas que um espírito suporta com o fito de vir ajudar outros a se porem no bom caminho. Chamam-se sacrificiais, isto é, de sacrifício, porque os espíritos que as usam já alcançaram um grau de elevação tal que os isenta de virem passar por trabalhos e sofrimentos aqui na terra; entretanto, para aqui vêm e sofrem lutam, dando o bom exemplo no meio em que se reencarnam; visam com isso a promover o progresso de entes queridos que tinham estacionado nas sombras do mal.
     Estas reencarnações são comuns e os espíritos elevados se servem delas para promoverem a melhoria do planeta; a maior de todas foi a de Jesus.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Estudo dos Chakras, Obsessão, Fascinação e Subjugação

O que são Chakras?
É uma palavra que vem do sânscrito e significa literalmente roda. Seus aspecto é como um vórtice em movimento de energia e cada um têm uma cor diferente. Ao longo da coluna vertebral estão os sete principais centros de força ou chakras. Existem pedras que ajudam a equilibrar esses centros energéticos.
     É como se fosse um campo eletromagnético onde o pensamento vibra em circuito fechado.
     Nosso corpo está regido por sete centros de força, são eles:
1º - Centro Coronário ou Pineal – Tem alto potencial de radiação, nele assenta a ligação com a mente, sede da consciência. Esse centro recebe em primeiro lugar os estímulos do espírito, comandando os demais chakras. Ele é o grande assimilador das energias solares e dos raios da espiritualidade superior capazes de favorecer a sublimação da alma.
2º - Centro Cerebral ou Frontal – chamado de terceiro olho ou terceira visão. Ordena as variadas percepções que no corpo são: a visão, a audição, o tato e a vasta rede de processos da inteligência que dizem respeito a palavra e cultura. É nesse Centro que possuímos o comando do núcleo endocrínico, referente aos poderes psíquicos.
3º - Centro Laríngeo – que preside os fenômenos vocais inclusive às atividades do timo, da tireóide e das paratireóides.
4º - Centro ou Plexo Cardíaco – que sustenta os serviços de emoção e do equilíbrio geral.
5º - Centro Gástrico ou Plexo Solar – Que é responsável pelo recebimento de alimentos.
6º - Centro Esplênico – Que está sediado no baço, regulando a distribuição e a circulação adequada dos recursos vitais em todo o corpo..
7º - Centro Genésico ou Basal – nele localiza-se o santuário do sexo como templo modelador de formas e estímulos.
     O passe que equilibra estes centros de força. Quando vamos aplicar o passe na pessoa que está a nossa frente devemos ter pureza de intenção e sentimento o desejo ardente e desinteressado de aliviar o seu semelhante. Aliados à saúde do corpo, dão ao fluído um poder reparador que pode em certas pessoas aproximar-se das qualidades do fluído espiritual.
     A base de todo serviço de intercâmbio, entre os encarnados e desencarnados repousam na mente. Por isso a necessidade de renovação interior, estudo e de fá ativa, se pretendemos conservar o contato com os Espíritos de Luz.
     Devemos nos lembrar que os nossos pensamentos são forças, imagens, coisas e criações tangíveis no campo espiritual.
     Atraímos companheiros e recursos, de conformidade com a natureza de nossas idéias, aspirações, inovações e apelos.
     Energia viva, o pensamento desloca, em torno de nós, forças sutis, construindo paisagens ou formas e criando centros magnéticos ou ondas, com os quais emitimos a nossa atuação ou recebemos a atuação dos outros.
(Livro – Pontos da Escola de Médiuns)
     Nosso êxito ou fracasso dependem da persistência ou da fé com que nos consagramos mentalmente aos objetivos que nos propomos alcançar. Cada criatura recebe de acordo com aquilo que dá.
     Convençamo-nos de uma verdade:o que fizermos de bom, de virtuoso, de honesto, de benéfico aos outros, voltará a nossas mãos em forma de saúde, bem-estar, conforto, alegria, felicidade, facilidades de viver, estancando assim a fonte de sofrimentos. E o que fizermos de mau, de vicioso, de desonesto e de prejudicial aos nossos semelhantes, do mesmo modo virá ter conosco, gerando-nos dissabores.
     É a lei do choque de retorno que não deixa nada impune e se anuncia assim: - “Tuas ações, depois de atingirem o objetivo para o qual as criaste, voltarão a ti próprio, produzindo em ti mesmo os mesmos efeitos”.
     É sabedoria portanto, acionarmos a lei do choque de retorno sempre a nosso favor. E para isso é preciso que sejamos bondosos para com todos. (Espiritismo Aplicado, Eliseu Rigonatti).
Da Obsessão – (Livro dos Médiuns cap. XXIII).
 O que Obsessão? É o domínio que alguns espíritos exercem sobre certas pessoas.
Obsessão Simples – verifica-se quando um espírito malfazejo se impõe a um médium, intromete-se que contra a sua vontade nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros espíritos e substitui os que são invocados.
     O espírito que se apega ao médium é apenas um importuno pela sua insistência, do qual ele procura livrar-se.
     Não quer dizer que o médium esteja obsediado pelo simples fato de ser enganado por um espírito mentiroso mas até o melhor médium está sujeito a isso, sobretudo no início quando ainda lhe falta experiência.
     A obsessão tem apenas um inconveniente, dificulta as comunicações com os espíritos sérios.
      Aqui o médium reconhece a mistificação mais cedo ou mais tarde.
Fascinação – Aqui é diferente, pois para chegar a tais fins o espírito deve ser esperto, ardiloso e profundamente hipócrita, porque ele só pode enganar e se impor usando máscara e uma falsa aparência de virtude.
     A ilusão pode chegar ao ponto de levá-lo a considerar sublime a linguagem mais ridícula.
     Enganam-se os que pensam que esse tipo de obsessão só pode atingir pessoas simples, ignorante, os instruídos e inteligentes também não estão livres dessa ilusão.
     As conseqüências da fascinação são muito mais graves. O espírito dirige a sua  vítima como se faz a um cego, podendo levá-lo a aceitar as doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas como sendo as únicas expressões da verdade. Além disso pode arrastá-lo a ações ridículas, comprometedoras e até mesmo perigosas.
Ex: a fascinação no meio espírita ela se manifesta de maneira ardilosa através de uma avalanche de livros comprometedores, tanto psicografados como sugeridos a escritores vaidosos, ou por meio de envolvimento de pregadores e dirigentes de instituições que se consideram devidamente assistidos para criticarem a doutrina e reformularem os seus princípios.
Subjugação – é um envolvimento que produz a paralização da vontade da vítima, fazendo-a agir malgrado seu. Esta se encontra, numa palavra, sob um verdadeiro jugo.
Existem dois tipos de subjugação:
Moral – o subjugado é levado a tomar decisões frequentemente absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, considera sensatas.
Corpórea – às vezes vai mais longe, podendo levar a vítima aos atos mais ridículos.
Ex: no livro cita o caso de um jovem que foi constrangido por uma força irresistível a cair de joelhos diante de uma jovem que não lhe interessava e pedi-la em casamento, outras vezes sentia nas costas e nas curvas das pernas uma forte pressão que o obrigava, apesar de sua resistência, a ajoelhar-se e beijar a terra nos lugares públicos, diante da multidão.
     Para os seus conhecidos passava por louco. Só que ele não era porque tinha plena consciência do ridículo que praticava contra a própria tinha plena consciência do ridículo que praticava contra a própria vontade, e sofria com isso horrivelmente.
     A obsessão, como dissemos, é um dos maiores escolhos da mediunidade. É também um dos mais freqüentes. Nunca serão demais as providências para combatê-la.
     É pela mediunidade que o espírito se dá a conhecer. Se ele for mau, sempre se trai, por mais hipócrita que seja.
É inconveniente ser médium?
É errôneo pensar que os espíritos só exercem sua influência através das comunicações escritas e verbais, porque não é assim, nós temos intuições, somos alertados a toda hora até através dos sonhos. A influência dos espíritos é constante mesmo aqueles que não acreditam no espiritismo são influenciados, só que eles não tem meios ou não Sab em como se defenderem. Quantos loucos, quantos doentes que acham que estão doente sem apresentarem nenhuma doença em exames e mais exames que fazem. Se eles acreditassem no espiritismo saberia como se defender e veriam que Deus reserva o melhor para nós e que seus mensageiros de luz estão por toda parte para nos ajudar eles com certeza seriam amenizados em seus sofrimentos.
Ex: vamos dizer que um homem vê sua fortuna se perder, os amigos se afastarem, perturbar sua tranqüilidade não descobrindo a mão que o fere, que o caluniou não pode se defender e acaba vencido, perdendo tudo. Mas um dia o inimigo secreto lhe escreve e se trai, apesar da sua astúcia. Eis descoberto o inimigo, que ele agora pode fazer calar e com isso se reabilitar. Esse é o papel dos maus espíritos que o espiritismo nos dá a possibilidade de descobrir a tempo e poder anular o mal.
     Os motivos da obsessão variam segundo o caráter do espírito. Às vezes é a prática de uma vingança contra uma pessoa que o magoou na sua vida ou numa existência anterior.
    Frequentemente é apenas o desejo de fazer o mal, pois como sofre, deseja fazer os outros sofrerem, sentindo uma espécie de prazer em atormentá-los e humilhá-los.
     A impaciência das vítimas também influi porque ele vê atingido o seu objetivo. Ao se irritar perdendo a paciência, mostrando-se zangado, a vítima faz precisamente o que ele quer.
     Esses espíritos agem às vezes pelo ódio que lhes desperta a inveja do bem, e é por isso que lançam a sua maldade sobre criaturas honesta.
Ex: um espírito destes se apegou a uma família que não pode enganar, pois logo foi descoberto ao ser interrogado o motivo do ataque aquela boa gente, ao invés de apegar-se a homens da sua espécie  respondeu  - esses não me dão inveja.
Um destes, subjugava um rapaz de inteligência muito curta, respondeu-nos sobre o motivo da sua escolha: - tenho necessidade de atormentar alguém; uma pessoa capaz me repeliria; apego-me a um idiota que não pode resistir.
     O obsessor é tão astuto que quando ele se apossa do médium para dominá-lo não suporta o exame crítico das suas comunicações, quando vê que elas não são aceitas, mas submetidas à discussão, não deixa o médium mas lhe sugere o pensamento de se afastar, e muitas vezes mesmo lhe ordena que se afaste.
     Todo médium que se aborrece com as críticas das suas comunicações faz-se eco do espírito que o domina, e esse espírito não pode ser bom.
     O isolamento do médium é sempre prejudicial para ele, que fica sem a possibilidade de controle de suas comunicações.
     No espiritismo de Kardec – o médium deve, além de apelar fervorosamente ao seu bom anjo deve pedir aos bons espíritos que lhes são simpáticos, suplicando-lhes assistência. É mais demorado é uma conversão penosa mas que tem justamente mérito na própria dificuldade.
     Na Umbanda quando uma pessoa vem no terreiro a procura de alívio para o que está passando é diferente, os espíritos de luz alivia-o durante a gira ou na roda de descarrego e o que acontece? Os obsessores são encaminhados pelos espíritos de luz para serem esclarecidos.
     Existem várias maneiras de afastar obsessores, mas meus irmãos tudo depende da vontade e persistência do médium, ele deve se empenhar em vencer os obstáculos, que estão nele mesmo. Sem isso, suas preces e suas súplicas nada farão. (Livro dos Médiuns).
Nota do livro Nosso Lar pág. 219 – (palavras da enfermeira Narcisa para o André Luiz.)
“Nós trazemos em nosso íntimo o superior e o inferior, o bem e o mau. Devemos procurar sempre desenvolver o nosso lado bom”.
“Como vê, nada existe de inútil na Casa de Nosso Pai. Em toda parte, se há quem necessite aprender, há quem ensine; e onde aparece a dificuldade, surge a providência.” 
Dar exemplo de passagens do livro Memórias de um Toxicômano. 
     A Doutrina Espírita – Perseverança e Serenidade no Estudo.
     O estudo de uma doutrina, como a espírita, nos lança, de súbito, numa ordem de coisas tão novas que não pode ser feito, proveitosamente, senão por pessoas sérias, perseverantes, isentas de preconceitos e animadas de uma firme e sincera vontade de chegar a um resultado quanto as suas indagações.
     Que se abstenham de pronunciamentos os que não julgam os fatos espíritas com seriedade ou dignos de sua atenção. Ninguém pretende violentar-lhes a crença, mas que eles também saibam respeitar a dos outros.
     O que caracteriza o estudo sério é a continuidade. Devemos admirar-nos de não obter respostas sensatas a perguntas naturalmente sérias, quando as fazemos ao acaso e de maneira brusca, ou em meio a perguntas ridículas. Uma questão complexa requer, para ser esclarecida, perguntas preliminares ou complementares.
     Quem quer adquirir uma ciência deve estudá-la de maneira metódica, seguindo o encadeamento de idéias a partir do princípio das indagações.
Obs: O médium deve começar o seu desenvolvimento mediúnico orientado pelas lições básicas da Doutrina Espírita. (Livro Princípio do Espiritismo na Umbanda).

                      




quinta-feira, 24 de março de 2011

Renovação Planetária

Chegamos a um momento da humanidade em que os valores morais e éticos gritam por socorro, a necessidade de um despertar de consciência nunca foi tão imperiosa como nesse momento.
O Brasil, como terra de culturas e crenças diversas, encontra-se numa espécie de confusão ideológica. Como uma verdadeira separação entre o “joio e o trigo”, vemos hoje avolumar-se uma grande quantidade de violência, insensatez, vícios em geral e muita falta de espiritualidade. Em contra partida, encontramos também um volume cada vez maior de pessoas buscando uma religião, atuando em serviços voluntários, meditando e preocupando-se com o seu país e com o mundo.
As menções sobre uma época de transformação são ditas desde as mais remotas religiões e seus profetas, passando por Jesus e mais recentemente na própria doutrina espírita. Muitos a consideram como o período do fim do mundo, para outros é uma grande oportunidade de vencer seus próprios obstáculos e conquistar algo que conscientemente não se sabe, mas sente que o momento é único.
Jesus preconiza uma época em que povos se levantarão contra povos, fome e pestes se alastrariam, mas não seria ainda o fim - segundo Jesus - o fim estaria próximo apenas quando a “Boa Nova” fosse ensinada para todos os povos. João através do Apocalipse nos revela uma espécie de luta entre o bem e o mau, na qual o vencedor ganhará a “Nova Jerusalém”. Os maias antigos, com o seu calendário lunar profetizam uma época de escuridão que será substituída por uma “Era de Ouro” a partir de 2012 da nossa época. Outros povos como os egípcios, sumérios e as antigas ordens esotéricas,  fazem menções sobre uma época de transformações e renovação planetária.
A idéia de fim do mundo ficou marcada devido ao conceito errado envolvendo o “inferno” e a pouca compreensão da vida futura. O homem ainda presume que a matéria é o fator principal do universo e a idéia de mudanças climáticas e geológicas dá uma dimensão de sofrimento inimaginável.
Na parte final do apocalipse, João vê Jesus e seus anjos vindo juntamente com a “Nova Jerusalém” para a felicidade dos que venceram a grande batalha narrada no seu texto.
Muitos “cristãos” acreditam que a Nova Jerusalém estaria no Reino dos Céus e os vencedores seriam retirados desta terra, mas muitos esquecem que João estava em espírito, ou seja, estava fora de seu corpo, viu tudo por outro Plano. Além do mais, o próprio nome “Nova Jerusalém” pressupõe uma Jerusalém (Planeta) renovada.
Se não fosse assim, como justificar a promessa de Jesus no sermão do monte em que os pacíficos herdariam a terra e por que após a boa nova estar difundida para todos, o mundo acabaria?
A doutrina espírita, através da Gênese, codificada por Kardec, dentre tantas outras fontes, nos dá a noção exata do período que estamos passando.
Kardec nos diz no capítulo XVIII: “...Esse duplo progresso se cumpre de duas maneiras: uma lenta, gradual e insensível; a outra por mudanças mais bruscas, a cada uma das quais se opera um movimento ascensional mais rápido, que marca, por caracteres nítidos, os períodos progressivos da Humanidade. Esses movimentos, subordinados nos detalhes ao livre-arbítrio dos homens, são de alguma sorte fatais em seu conjunto, porque estão submetidos a leis, como aquelas que se operam na germinação, no crescimento e na maturidade das plantas; é por isso que o movimento progressivo, algumas vezes, é parcial, quer dizer, limitado a uma raça ou a uma nação, de outras vezes geral. O progresso da Humanidade se efetua, pois, em virtude de uma lei; ora, como todas as leis da Natureza são obra eterna da sabedoria e da presciência divina, tudo o que é efeito dessas leis é o resultado da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Quando, pois, a Humanidade está madura para vencer um degrau, pode-se dizer que os tempos marcados por Deus são chegados...”.
De forma acertada Kardec relaciona e compara a atual fase de transformação do Planeta que está subordinada a leis, ao processo de germinação e progresso de uma planta, ou seja, o amadurecimento da Humanidade. Talvez por isso Jesus afirma que o fim chegaria precedido pelo conhecimento da “Boa Nova” por todos os povos.
A  nova ordem social
Ele continua dizendo: “...A fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social; mas não há fraternidade real, sólida e efetiva, se ela não se apóia sobre uma base inabalável; esta base é a FÉ...”.  Continua: “...Para que os homens sejam felizes sobre a Terra, é necessário que ela não seja povoada senão por bons Espíritos, encarnados e desencarnados... Tendo chegado esse tempo, uma grande imigração se cumprirá entre aqueles que a habitam; aqueles que fazem o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não toca, não sendo mais dignos da Terra transformada, dela serão excluídos, porque lhe trariam de novo a perturbação... Eles irão expiar o seu endurecimento, uns nos mundos inferiores, os outros entre raças terrestres atrasadas... Serão substituídos por Espíritos melhores, que farão reinar, entre eles, a justiça, a paz, a fraternidade... A Terra não deve ser transformada por um cataclismo que aniquilaria subitamente uma geração, a atual desaparecerá gradualmente, e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas...” A afirmação de Jesus, de que os mansos herdarão a Terra se justifica nessa passagem do livro da Gênese. Kardec nos explica como o processo de renovação ocorrerá, de forma natural e gradual, como alias, já está acontecendo.
Kardec termina o capítulo com a seguinte advertência: “Os incrédulos rirão dessas coisas, e a tratarão por quimeras; mas digam o que disserem, eles não escaparão à lei comum; cairão a seu turno, como os outros, e, então, o que será deles? Eles dizem: Nada! Mas viverão a despeito de si mesmos, e serão, um dia, forçados a abrir os olhos.”.

Ricardo Viana
Revista Cristã de Espiritismo

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Colônia do Pó (capítulo 03) - do livro "Memórias de um Toxicômano"

     A paz era algo distante do meu coração, um sonho antigo que nunca cheguei a realizar. Sempre pensava que ainda não a havia conquistado porque não havia consumido toda a droga necessária.
     Naquele dia, no entanto, meu pensamento mudou. A figura de minha mãe enferma, já sexagenária e com os cabelos grisalhos, locomovendo-se em uma cadeira de rodas, mas ainda apresentando no semblante toda a paz sempre buscada por mim, foi o que faltava para que eu pudesse concluir que estava no caminho errado.
     Demorei mais alguns momentos em casa, mesmo com a insistência de José para irmos logo embora. Foi o suficiente para que pudesse assistir à chegada de meu irmão. Entrou pela porta cheio de pacotes nas mãos e foi logo recebido por todos com a maior alegria.
     A primeira que chegou foi a senhora que se encontrava no tanque. Ajudou-o a acomodar as compras em uma mesa e depois lhe deu um abraço e um beijo, o que me fez perceber tratar-se de sua esposa.
     Meu irmão já não era mais aquele garoto que eu deixara em casa quando descobri as drogas. Aparentava seus quarenta anos de idade. Quando percebi isso, me assustei. Quanto tempo havia perdido na ânsia de buscar uma felicidade falsa, que durava apenas alguns segundos e quando terminava me deixava um profundo vazio e um sentimento de solidão?
     Assim pensava, quando entrou na sala, vinda do interior da casa, uma garotinha linda, morena, olhos negros, cabelos muito lisos, de seus quatro anos de idade. Correu ao encontro do meu irmão e deu-lhe um abraço. Meu irmão se agachou, levantou-a no colo e disse:
     -Olha só o que o papai trouxe para você.
     Mostrou-lhe uma barra de chocolate e ganhou outro abraço apertado no pescoço e um beijo carinhoso na face.
     Depois, colocou a menina no chão e foi em direção à minha mãe, que até então assistia à cena com um sorriso nos lábios. Abaixou-se para abraçá-la e conversou com ela sobre sua saúde.
     Era verdadeiramente uma família alegre, que dentro da humildade e da simplicidade do dia a dia havia conquistado a felicidade no afeto mútuo.
     Naquele momento, um sentimento de inveja passou pelo meu coração. Analisei o quanto poderia ser feliz hoje se tivesse escutado os conselhos do meu pai, da minha mãe e até mesmo dos meus irmãos e professores. Não consegui conter uma lágrima que rolou pela minha face e fui quase arrancado dali por José e seus subordinados.
     José disse-me que eu estava indo por um caminho muito perigoso, porque a organização não perdoava qualquer traição. Qualquer compromisso assumido com ela era para sempre. Assim, disse-me ele, eu deveria aproveitar bem as minhas férias para tirar esses pensamentos “ruins” da minha cabeça, e acrescentou:
     Família é um engodo. Quando faz tempo que a gente não os vê até parece que eles estão certos e bate uma saudade. Mas se você ficar três ou quatro dias com eles, vai ver que todo dia é a mesma coisa. Tudo se repete igualzinho. É um tédio. Não tem emoção. Você sim é que sabe viver. Cada dia em uma festa diferente, sempre acompanhado por belas garotas e muita coca à disposição. O que é que você quer mais?
     Eu não conseguia responder nada. O meu pensamento ainda estava com os meus familiares. Onde estariam meu pai e minha irmã? Será que eles eram igualmente felizes?
     Permaneci assim pensativo até que, sem perceber, cheguei à Colônia do Pó. Agora eu já conhecia bem a colônia e também era bastante conhecido ali. Cada vez que terminava um serviço ia até à colônia para obter novas instruções sobre o que fazer e os nomes das próximas vítimas. Às vezes, permanecia lá por alguns dias estudando o comportamento, os hábitos e as personalidades da vítimas que iria atacar, e para decidir, junto aos superiores, qual era a melhor forma de agir.
     Eu era até respeitado ali, pois, segundo diziam, era um dos melhores naquilo que fazia. E eu me orgulhava disso.
     Naquele dia, levaram-me para lugares diferentes, dentro da colônia. Primeiro fui apresentado a Sônia, garota bonita e bem vestida, dos seus trinta anos de idade. A ela coube a missão de me apresentar o lado da colônia que eu não conhecia, onde havia o sofrimento.
     Até então, sempre que ia à colônia, permanecia na área administrativa. Não era um primor de organização. Mas ali eu convivia com pessoas que, ao menos aparentemente, haviam alcançado um grau de satisfação e felicidade que sempre buscava para mim. Isso sempre me animava a prosseguir no trabalho que desenvolvia, e eu me esforçava ao máximo para fazer o melhor.
     Sônia me mostrou o lado negro da colônia. Quando passamos pelas ruas do que aparentava ser uma cidade, percebi logo que a baderna era generalizada. A correria nas ruas, uns correndo atrás dos outros, discussões e brigas. Fiquei surpreso. Comecei a perceber que muitas pessoas que estavam ali tinham seus corpos deformados. Havia algumas com rosto de homens ou mulheres, mas com corpo de animal. (Trata-se do fenômeno conhecido como zoantropia, citado por André Luiz no livro Desobsessão, psicografado por Francisco Cândido Xavier, Capítulo 36. O mesmo autor narra ocorrência semelhante, resultado de indução mental por hipnotismo, no livro Libertação, Capítulo 5). A escuridão era quase total. Aves monstruosas sobrevoavam o lugar e de quando em vez pegavam alguma pessoa com suas enormes garras e sumiam no céu escuro. Era uma visão que eu jamais poderia imaginar na vida. Fiquei perplexo.
     Percebendo a minha surpresa, Sônia passou a me esclarecer:
     -Aqui é a Colônia do Pó, onde vivem alguns que já não podem mais colaborar, mas que ainda permanecem fiéis à nossa causa.
     Como eu não entendi nada, ela ainda me esclareceu:
     -Todos que estão aqui já foram trabalhadores, assim como você e eu. De repente, tornaram-se imprestáveis para o serviço, o que não é difícil de você perceber diante do comportamento que eles apresentam. Contudo, eles permaneceram e permanecem fiéis à nossa causa. Têm na droga a fonte de toda felicidade. Assim, nossos maiores, em sinal de gratidão pelos serviços que eles já prestaram, os colocam aqui. Todos os dias eles recebem uma quantidade estabelecida de droga, de acordo com os serviços prestados por cada um e com o cargo que ocupava quando veio parar aqui.
     Comecei a olhar aquilo e a imaginar que ali deveria ser o meu futuro.
     Começamos a caminhar pela cidade e eu horrorizado cada vez mais. As cenas eram dantescas e quase todas impróprias para se descrever aqui. Abusos de toda ordem que deixavam com vergonha até mesmo eu que me considerava o mais liberal de todos.
     Sônia, que já estava acostumada com toda aquela bagunça, caminhava como se nada estivesse acontecendo ou como se tudo aquilo fosse normal. Mostrou-me os prédios, explicando o que funcionava em cada um deles.
     Havia o prédio da guarda, responsável pela vigilância. Às vezes, disse-me Sônia, a cidade era atacada por algumas naves. (Na literatura espírita, encontra-se a narração de diversos tipos de veículos utilizados no mundo espiritual. André Luiz, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, cita o aérobus (Nosso lar, capítulo 10, 26 e 33; e Cidade no Além, capítulos 2 e 38, em que se podem encontrar o seu desenho), carruagem ( Os Mensageiros, capítulo 28; Libertação, capítulo 4), carruagem voadora (E a Vida Continua..., capítulo 26) e outros (Os Mensageiros, capítulos 19 e 33; Sexo e Destino, segunda parte, capítulo 14 e E a Vida Continua..., capítulos 7,13,18 e 21). Quando elas chegavam, emitiam uma luz que ofuscava a visão de todos. E quando iam embora, alguém havia sumido.
     Os guardas da cidade nada podem fazer contra essas naves, disse-me Sônia. O melhor mesmo, continuou ela, é ficar atento. E ao menor rumor de que há uma nave por perto, esconder-se no primeiro lugar que encontrar.
     -Mas para que existem os guardas, se eles nada podem fazer contra essas naves? – perguntei.
     -A organização tem feito de tudo para evitar esses ataques, mas sem sucesso. Cada vez que uma nave se vai, fica um sentimento de medo em todos que ficam por aqui. Passou a ter muita cobrança para que algo fosse feito.
     -Mas, se os guardas não podem fazer nada, tudo ficou como antes? – considerei.
     -A organização descobriu, depois de muito investigar, que estas naves colocam espiões aqui dentro. Sempre que alguém começa a aparecer com um papo careta, dizendo que não quer mais droga, passando parte de sua cota para os outros, aparece uma nave. E quem é que vai embora? Exatamente o careta que estava em nosso meio.
     Como eu não compreendia, ainda, a razão dos guardas, Sônia asseverou:
     -Agora, qualquer um da cidade que percebe alguém com p0apo careta tem que levar a notícia para os guardas. Os guardas buscam a pessoa e tentam explicar para ela sobre os perigos que está correndo se continuar com aquele tipo de pensamento. Se a pessoa compreende, fica internada no prédio da recuperação. Permanece lá por algum tempo, até se ter certeza de que ela realmente se recuperou. Agora, quando a pessoa insiste em permanecer com o papo careta, ela é levada para o Vale dos Enjeitados, que fica além dos muros da cidade.
     Depois dessas providências, - continuou Sônia – as naves passaram a vir menos vezes aqui. Normalmente, descem perto do Vale dos Enjeitados e de lá mesmo vão embora.
     -Mas, para onde vão essas pessoas levadas pelas naves? –perguntei, curioso.
     Na verdade, ninguém sabe. Dizem que nossos maiores sabem, mas ninguém tem certeza disso. Por aqui, contam-se muitas histórias, que até já viraram lendas. Alguns dizem que eles vão para a morte porque já não merecem viver por quererem abandonar as drogas. Outros dizem que vão para um local onde não encontrarão nenhum tipo de droga, para pensarem melhor no que perderam. Falam de tudo, mas ninguém sabe, ao certo, para onde eles vão.
     Quando conversávamos, percebi que em alguns grupos que corriam atabalhoadamente pela cidade, como verdadeiros alienados mentais, estavam pessoas que eu havia iniciado no mundo das drogas. Comecei a observar melhor e percebi que não eram poucas.
     Tinha ainda na mente o quadro vivido em minha casa. Tentava compará-lo com as cenas a que estava assistindo ali e comecei a pensar o que seria o meu futuro. Comecei a pensar em minha vida, no vazio a que chegava no final de cada rodada de droga, quando Sônia me advertiu:
     -Você deve tomar cuidado com o que pensa aqui. Daqui a pouco vem um guarda e o leva para o prédio da recuperação. Você já veio em férias porque estava com idéias diferentes. Procure afastar esses pensamentos da sua cabeça. Isso não leva a nada.
     Eu não sabia o que responder, e permaneci calado.
     De repente, apareceu um moço todo esquisito, vestido de preto, com uma camiseta sem manga, calça rasgada nos joelhos e tatuagens por todos os lugares do corpo que se poderia ver.
     Sônia me apresentou o recém-chegado:
     Este aí é o Joaquim. É o único que conseguiu voltar, depois de ter sido levado para a nave. Mas diz que não se lembra de nada. Nem do que aconteceu lá nem de como conseguiu voltar. Tornou-se um herói aqui na cidade.
     Joaquim colocou a mão no meu ombro e foi logo dizendo:
     -Vamos dar uma volta que eu vou te mostrar o que é prazer. Deixa esse papo furado com essa aí, que isso não dá em nada.
     E foi me levando, quando Sônia me disse que nos veríamos mais tarde. Quando ficamos a sós, Joaquim parecia ser outra pessoa. Falou-me que eu estava certo em buscar a família, que eu tinha o direito de querer mudar a minha vida, que droga era uma eterna ilusão, pois nunca passaria daqueles poucos segundos de prazer e um grande vazio depois.
     Estranhei aquela conversa e ia até repreender-lhe, quando Joaquim asseverou:
     -Aproveite o momento em que a sua própria consciência está chamando para uma vida melhor. Desde que você começou a usar droga, ainda na Terra, o que é que você conquistou? Absolutamente, nada. Continua hoje o mesmo dependente de uma fileira de cocaína, como o era quando encarnado. Quando está sem droga, fica desesperado enquanto não arruma outra. Onde está a felicidade que você está buscando? Veja esta cidade. Observe bem essas pessoas sem vida, correndo pelas ruas, umas atrás das outras, como verdadeiros alienado mentais. Esse é o seu futuro. É essa a felicidade a que a droga pode levar o homem. Muitos dos maiores desta colônia já vieram para cá e outros chegaram a ser levados para o Vale dos Enjeitados. É essa a felicidade que você almeja?
     Pensei bem no que ele disse e não podia tirar-lhe a razão. Então, indaguei:
     -Mas qual outra vida que eu posso ter hoje se a organização exige fidelidade eterna?
     -Mas há uma força contra a qual a organização não pode nada fazer. – respondeu-me Joaquim.
     Percebi logo que ele estava falando das naves e estremeci.
     -Pois é, e nós aqui com essa conversa. Vamos mudar de assunto senão logo chega uma nave aqui e eu não quero saber disso.
     -Não tenha medo do desconhecido. – respondeu Joaquim.
     -Eu mesmo já fui levado para esta nave e posso lhe afiançar que fui para um lugar onde existe a felicidade que buscamos. Lá, as pessoas nos tratam como se fôssemos seus familiares. Orientam-nos. Lá, conseguimos o equilíbrio necessário sem precisar de um bocado de cocaína a cada momento.
     -E por que você não ficou por lá? – perguntei-lhe.
     -Porque talvez eu não estivesse preparado. Naquele momento, não soube dar valor ao que proporcionaram lá. E voltei. Mas quando a nave vier, não tenho dúvidas: eu volto para lá.
     Fiquei pensando naquilo tudo. Era muita coisa diferente em um só dia, para quem estava acostumado a viver sempre a mesma rotina. Disse a Joaquim que queria descansar e ele me levou a um prédio onde não havia muito movimento.
     Sentamos ali, e fiquei pensando em tudo que havia ocorrido naquele dia.
     Será que Joaquim estava certo? Ou será que a felicidade estava mesmo na droga?
     Adormeci.
    








"A Beleza do Ato Sexual" Continuação do "Livro Obsessão Sexual"

Solicitado a opinar sobre o sexo, Chico, celibatário devido à missão mediúnica que não lhe permitia tempo para uma esposa e filhos, demonstrou o quanto entendia de amor e sexo ao comentar sobre o compromisso amoroso firmado entre duas pessoas.
-“Acredito que o compromisso sexual entre duas pessoas deve ser profundamente respeitado. Uma terceira pessoa em qualquer compromisso sexual é uma dificuldade a superar, porque não podemos esquecer que a lesão sentimental é, talvez, mais traumática do que uma lesão física.
Alguém que prometeu amor a alguém deve se desincumbir deste compromisso com grandeza de pensamento e sem qualquer insegurança. Não compreendo a promiscuidade, mas entendo perfeitamente o relacionamento de alma para alma, com o respeito que nós todos devemos uns aos outros”.

Algumas pessoas consideram o exercício sexual um ato impuro; outras uma distração, uma conquista, um vício, uma obrigação. Mas as que são sábias o elevam ao nível de oração, de poema, de pura troca de sentimentos e emoções.
Não se vai ao encontro de quem se ama sem antes convidar a ternura e o respeito, dois companheiros assíduos do ato sexual saudável, ritual onde se unem corpo e alma para a troca de energias psicofísicas.
Não se inicia o enlevo, obrigatório no ato sexual, sem esta boa lembrança: o sexo fez o lar e criou o belíssimo título de mãe, o mais nobre que uma mulher pode ostentar.
Não se conclui esse ritual delicado sem a certeza do compartilhamento, sem a convicção de acolher com responsabilidade e com afagos, o fruto que dele pode ser gerado.
Por isso pensemos no sexo como o jardineiro pensa em suas roseiras e o pastor em suas ovelhas. Nele o carinho é obrigatório e a vulgaridade deve ser inexistente.
Entendamos que o ato sexual deve ser encarado como um conto de fadas no qual um casal precisa chegar a um castelo onde viverão felizes para sempre. O importante nessa viagem não é apenas a chegada, mas os preparativos, a paisagem, as curvas, os montes, a relva tenra e as fontes que antecedem à chegada. Extasiados com os aromas do caminho, a chegada é o ápice da entrega.
Pode ser pensado também como o trabalho de um confeiteiro, que precisando fazer um bolo especial para matar a fome de alguém muito amado, inicie misturando assim os ingredientes: uma pitada de ousadia, outra de criatividade, três quartos de amor, algumas gotas de deslumbramento, fermento para fazer corar, ternura a gosto, e carinho, muito carinho.
Não se convida para o leito do amor nem a presa nem lembranças amargas. Nele predomina o aqui e o agora, caminho a ser percorrido com passos lentos e suaves. O mundo fica lá fora com suas belezas e agressões. No amor não há eu ou tu, apenas nós, metades que se fundem em um momento mágico.
Ninguém deve se envergonhar por expressar o seu amor no ato sexual. Que se aproveitem os aromas, os toques, os sons, o visual, o calor, o gosto do beijo, os arrepios, os sinos que tocam longe, mas sempre com a devida consideração a si e ao seu parceiro. Às vezes o casal se abraça e fica a sentir o cheiro, a pulsação, a respiração do outro, quietinho, imóvel como se ambos fossem uma só pessoa. Isso é tão gostoso que os enche de felicidade e dá vontade de perpetuar o momento. Para sentir prazer com quem se ama basta às vezes um olhar.
Portanto, não se sinta na obrigação de fazer sexo todos os dias, como se houvesse assinado um contrato, uma obrigação. O amor não escraviza, pelo contrário, liberta. Faça sexo com freqüência e amor sempre. Lembre-se de que a função sexual deve ser presidida pelo amor. E o amor é aconchego de almas.
Um toque no rosto, um “eu te amo”, um verso aconchegante, uma flor, uma música calmante, um filme romântico, um abraço inesperado são, igualmente, maneiras de demonstra amor.
Jamais esqueça de que o ato sexual, mesmo admitindo toda intimidade entre os amantes, é momento sagrado. É um presente que Deus nos deu para que possamos expressar nossa intimidade e amor por quem elegemos como parceiro para uma vida inteira.
Considero prudente, tais lembretes antes de adentrar o drama aqui narrado, a fim de que alguma pessoa, inadvertidamente, venha a formar um conceito errôneo sobre o sexo, fonte de prazer e de vida, devido a equivocados que dele abusam. Que Emmanuel, Espírito que tantas lições nos ministrou sobre a responsabilidade frente às leis universais, possa concluir este pequeno texto.

O instinto sexual, exprimindo amor em expansão incessante, nasce nas profundezas da vida, orientando os processos da evolução. Toda criatura consciente traz consigo, devidamente estratificada, a herança incomensurável das experiências sexuais, vividas nos reinos inferiores da natureza. De existência a existência, de lição em lição e de passo em passo, por séculos e séculos, na esfera animal, a individualidade, erguida à razão, surpreende em si mesma todo um mundo de impulsos genésicos por educar e ajustar às leis superiores que governam a vida. A princípio, exposto aos lances adversos das aventuras poligâmicas, o homem avança, de ensinamento a ensinamento, para a sua própria instalação na monogamia, reconhecendo a necessidade de segurança e equilíbrio, em matéria de amor; no entanto, ainda aí, é impelido naturalmente a carregar o fardo dos estímulos sexuais, muita vez destrambelhados, que lhe enxameiam no sentimento, reclamando educação e sublimação. Diante do sexo, não nos achamos, de nenhum modo, à frente de um despenhadeiro para as trevas, mas perante a fonte viva das energias em que a Sabedoria do Universo situou o laboratório das formas físicas e a usina dos estímulos espirituais mais intensos para a execução das tarefas que esposamos, em regime de colaboração mútua, visando ao rendimento do progresso e do aperfeiçoamento entre os homens (Vida e Sexo).